Vem de dentro, vem de mim...

sexta-feira, 30 de julho de 2010


Zero.
Começar do zero.
Desligar e deixar que o sistema limpe.
Respirar fundo.
Respirar outra vez.
Reiniciar e esperar nascer de novo, munida agora de escudos e espadas. Nascer mais longe mesmo quando estiveres perto. Fingir não perder a compostura quando os teus dedos, desejosos e apressados, se perderem no meu corpo. Dividir as emoções em pastas distintas e ocultar aquelas que não me permito a ter contigo. Pegar nas vontades e comprimi-las, avaliar e decidir que a reciclagem está a precisar de visitas. Impedir que corrijas os erros que, em demasia, vejo acusar no ecrã. Dizer-te, no meu orgulho quase divertido que sou autónoma osuficiente para saber cuidar de mim. Hibernar quando os teus olhos se turvarem num nevoeiro cansado, cerrado, prenúncio da tua ida tão certa. Escurecer, exausta das lutas que em mim acontecem sem que eu disso tenha consciência ou mão. Resignar-me à natureza que me escolheu e que, fatalmente, me afasta de ti.


Entro num estado de sonolência premeditado. Transe com razão predefinida. Programo-me para sonhar contigo e sem problemas assim acontece. Sonho com os teus traços bem delineados e olhos imitando botões de rosa. Não me gozes se alguma vez te associar a rosas; a comparação é inevitável. Embora o meu apreço por elas não seja significativo, são o reflexo espelhado da tua alma. Aroma inconfundível. De vermelho bruto. Tal e qual os restos de coração que me concedeste.

Olhos e coração

E quando todos os dias me amavas, quando todos os dias me amavas para os olhos dos outros, quando todos os dias me amavas para o exterior; amavas "a outra" para o teu coração, apenas para ti, para o teu íntimo?! Amavas-me no teu esconderijo mais exposto, e "a outra" amavas para no externo secretamente?!
Mas qual de nós tu escondias e qual de nós tu amavas, se passeavas (com) cada uma na sua aldeia: os teus olhos e o teu coração.
Sabes, afinal tu amavas
"a outra" porque no interior está o coração; a mim, amavas só para os olhos dos outros. Esconde-me a mim e mostra "a outra". Talvez assim me possas amar a mim e mostrar "a outra". Porque assim estou resguardada em ti e ela exposta, assim conservas-me e mostras "a outra", assim eu fico com o teu coração e "a outra" fica com os teus olhos.




- Mãe, amanhã vou em busca do meu principie.
- Oh filha, histórias de príncipes e princesas, já só existem em sonhos.
- Está bem, então amanhã
vou de olhos fechados.

LETRAS NO CAMINHO :)


Não importa onde eu parei,
em que momento da vida eu cansei,
o que importa é que sempre é possível
e necessário "Recomeçar".
Recomeçar é dar uma nova
chance a si mesmo.
É renovar as esperanças na vida
e o mais importante:
acreditar em mim de novo.
Sofri muito nesse período.
Foi aprendizado.
Chorei muito,mas
Foi limpeza da alma.
Fiquei com raiva das pessoas.
Foi para perdoá-las um dia.
me senti só por diversas vezes!
é por que fechei a porta até para os outros.
Acreditei que tudo estava perdido.
Era o início da minha melhora.

Pois é!
Agora é hora de iniciar,
de pensar na luz,
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Olha quanto desafio.
Quanta coisa nova nesse mundão
de meu Deus me esperando.

Tava se sentindo sozinha
Besteira!
Tem tanta gente que eu afastei
com o meu "período de isolamento",
tem tanta gente esperando apenas um
sorriso para "chegar" perto de mim.

Quando nos trancamos na tristeza nem
nós mesmos nos suportamos.
Ficamos horríveis.
O mau humor vai comendo nosso fígado,
até a boca ficar amarga.

Recomeçar!
Hoje é um bom dia para começar
novos desafios.

Onde eu quero chegar?
Ir alto.
Sonho alto,
quero o melhor do melhor,
quero coisas boas para a vida.
pensamentos assim trazem para nós
aquilo que desejamos.

Se pensarmos pequeno,
coisas pequenas teremos.

Já se desejarmos fortemente o melhor
e principalmente lutarmos pelo melhor,
o melhor vai se instalar na nossa vida.

E é hoje o dia da Faxina Mental.

Joguei fora tudo que me prende ao passado,
ao mundinho de coisas tristes,
fotos,
peças de roupa,
papel de bala,
ingressos de cinema,
bilhetes de viagens,
e toda aquela tranqueira que guardei.
quando me julguei apaixonada.
Joguei tudo fora.
Mas, principalmente,
esvaziei o meu coração.
estou pronta para a vida,
para um novo amor.

Lembre-se somos apaixonáveis,
somos sempre capazes de amar
muitas e muitas vezes.
Afinal de contas,
nós somos o " feitos do Amor"


Teorias

Apetece-me chorar, gritar.
Ainda há alguns minutos atrás estava eléctrica, cheia de energia.
Foi uma descompressão, diria ele.
Ele...
Esse mesmo que causou esta inconstância em mim. Esse mesmo que tinha teorias para tudo... mas esse mesmo que se esqueceu e fez 'delete' da nossa teoria. Como se tudo fosse apenas um rascunho. E talvez não tenha passado realmente disso. Porque, realmente, a história não passou da meia página. Foi feita a lápis. E, o pior, é que foi ele quem ficou com a borracha.
Apagou-a.
Apagou a nossa e criou outra história... outras histórias... com novas personagens e novos enlaces...
E eu fiquei sentada no [col]chão, na pedra fria, no banco de jardim onde ele me deixou antes de partir.
Tudo não passam de teorias e eu tirei zero nesse exame. Ele era exigente e eu uma cabeça no ar, a viver no mundo dos sonhos, num conto de fadas que nem dei conta que existia. Julgava-me cinderela sem sapatos... e por isso caí da escada. Tropecei. Caí. E fiquei no chão. Mas ele não foi atrás de mim, não correu. Não me salvou. Ele simplesmente seguiu em frente e eu fiquei ali, de joelhos cortados [ou coração rasgado?]...
Mas tudo não passam de teorias...
E na teoria da vida não há espaços para 'se' nem porquê.
E, a única certeza que hoje tenho, é que tudo na minha vida não passa de um
talvez.
Porém, tudo são apenas teorias...

PAI AUSENTE

carta encontrada da minha filha( ESPERO Q UM DIA O PAI DELA LEIA ISSO)
{ ITAMAR BUSS}


Pai,
hoje, quase 10 anos depois de nos teres abandonado, decidi escrever-te e contar-te tudo o que senti na tua ausência. Ausência essa que sempre senti mesmo quando ainda não tinhas saído de casa. Na realidade nunca foste um pai a sério. Não, eu nunca tive um pai como todos os meus colegas de escola. Tu nunca passeas-te comigo aos fins de semana, nunca me levaste á praia e nos dias frios de Inverno nunca me aconchegaste os lençóis. Eu sei porque todas as noites ficava acordada até te deitares, sempre na esperança que o fizesses. Nunca me pedis-te para me sentar ao teu lado, nem nunca me contaste histórias. Esquecias-te de mim frequentemente e se te lembravas era só e apenas para dizeres que não fazia nada de jeito. Comecei a pensar que era um peso para ti e desejei muitas vezes nunca ter nascido. Na tua carteira não havia espaço para uma fotografia minha e nunca guardaste os desenhos que te oferecia no Dia do Pai. Eu nunca me esquecia de ti.
Cresci no meio das tuas discussões com a mãe. Tinha tanto medo quando gritavam. Ás vezes espreitava pela porta entreaberta do vosso quarto e via-te levantares-lhe a mãe e agredi-la tanto física como psicologicamente. E, ela gostava tanto, tanto de ti que não tinha coragem para te largar. Consentia tudo.
Porque é que nunca foste capaz de demonstrar carinho pela tua família? Pelos que mais te amavam? Porque é que sempre anulaste esta parte de ti, que éramos nós?
No dia em que a minha mãe teve coragem para te amachucar as roupas e as enfiar numa mala velha e rasgada, com o coração estilhaçado, e te pôs fora de casa, eu chorei a noite toda. Por mais ódio que sentisse em relação a ti não imaginava os dias preenchidos de vida tua, nesta casa. Durante muitos dias esperei que regressasses e tu não voltaste nunca. Mais uma vez esperei e voltei a esperar em vão.
Mas sabes, pai... eu sei que apesar de tudo tu me amas ainda como sempre amaste. Apenas nunca soubeste demonstrar esse amo. É impossível os pais não amarem os filhos. O amor por um namorado/namorada, marido/mulher, amigo/amiga pode desaparecer. Mas o amor por um filho nunca, mesmo nos piores dias. O amor por um filho permanece sempre. Apenas ás vezes se pode esconder, numa parte funda de um coração deficiente como o teu, mas eu acredito que um dia vais lembrar-te de mim e vais procurar-me ; vais sentir o arrependimento perfurar-te a pele e vais correr para mim para me abraçares e com lágrimas nos olhos vais dizer baixinho: Desculpa, filho.
E eu, que estou aqui á espera desse momento, como sempre estive, como sempre hei-de estar, vou abrir-te os braços, abraçar-te com força e também com lágrimas nos olhos e o coração cheio de felicidade vou dizer-te:NÃO Eu NÃO desculpo-te, pai.