“Que a errar, seja por agir e não por ceder ao receio. Que seja por arriscar voar e não por esperar que o vento mude.”
Vem de dentro, vem de mim...
sábado, 2 de outubro de 2010
""Meneghel preso = MST em festa
São incontáveis os blogs e sites ligados a movimentos sociais, até internacionais, que em corrente comemoram como troféu a prisão do produtor rural Alessandro Meneghel. Desde o dia 2 de janeiro encarcerado por porte ilegal de arma - é claro que diante de uma denúncia anônima -, o presidente da Sociedade Rural do Oeste do Paraná é o mais comentado nas áreas invadidas do Estado.
Mas não é esse o fato. Notórias são as coincidências: uma denúncia anônima o levou à prisão, os tribunais do Paraná negaram habeas corpus, começou o interrogatório do caso Syngenta - em que Meneghel virou indiciado sem sequer estar presente no fato - e vamos entrar no Carnaval Vermelho, mês escolhido pelas milícias armadas e impunes para invadir deliberadamente propriedades particulares em todo o Brasil.
Este é o fato. Ao longo dos últimos anos Alessandro Meneghel tornou-se uma das referências nacionais dentre os produtores rurais, na luta contra invasões e em defesa de um princípio que está na Carta Magna: o direito à propriedade. Num estado onde o governo delibera em favor das invasões, não cumpre ordens judiciais de reintegrações de posse e desrespeita leis, não poderíamos esperar condições diferentes ao líder ruralista.
Não bastasse, de olhos vendados, o governo do Estado menospreza a capacidade do povo paranaense.
Nas áreas invadidas não existem armas em posse dos sem-terra? Imaginem. Claro que não. Muito menos aquelas com numerações raspadas, oriundas de furto, roubo. Na troca de tiros que aconteceu no último fim de semana na área invadida da Fazenda São Domingos, em Cascavel - ocasião em que dois morreram -, certamente foram utilizados estilingues, os ferimentos foram provocados por pedras e sementes de mamona.
Não podemos esquecer o caso Syngenta. Também é claro que naquela ocasião os seguranças foram expulsos porque os sem-terra pediram licença, “poderiam deixar esta guarita, por favor”, e ao tentar impedir a invasão atiraram uns contra os outros, enquanto os mesmos sem-terra, pasmos, assistiram à insana ação dos pobres seguranças que depois, tiveram suas armas apreendidas. E é claro, com os sem-terra, não havia arma alguma.
O segurança que morreu no confronto é só mais um na história. Já a morte do sem-terra Valmir Mota de Oliveira, o Keno, é lembrada heroicamente pelas milícias de todo o Brasil, apenas não agradou ao então diretor superintendente da Funpar (Fundação da Universidade Federal do Paraná para o Desenvolvimento da Ciência, da Tecnologia e da Cultura), professor Paulo Afonso Bracarense Costa, que dias depois do confronto emitiu nota oficial informando “que Valmir Mota de Oliveira não era soldado do MST e sim empregado da Funpar, recebendo, repise-se, R$ 2.358,28 [...]”.
Esse é o nosso Brasil. É a tragédia e a comédia que nos movem com o talento dos homens de cueca, com as encenações dos tribunais da impunidade, dos líderes sem-terra remunerados com dinheiro público, dos governos cegos, omissos e até mesmo coniventes.
Meneghel errou ao andar armado e responderá por isso. Mas se os motivos que o levaram a estar não forem considerados justos, que venha o Carnaval Vermelho dos sem-terra e que sejamos expectadores covardes. Afinal, é de festa que o brasileiro gosta.""
Mas não é esse o fato. Notórias são as coincidências: uma denúncia anônima o levou à prisão, os tribunais do Paraná negaram habeas corpus, começou o interrogatório do caso Syngenta - em que Meneghel virou indiciado sem sequer estar presente no fato - e vamos entrar no Carnaval Vermelho, mês escolhido pelas milícias armadas e impunes para invadir deliberadamente propriedades particulares em todo o Brasil.
Este é o fato. Ao longo dos últimos anos Alessandro Meneghel tornou-se uma das referências nacionais dentre os produtores rurais, na luta contra invasões e em defesa de um princípio que está na Carta Magna: o direito à propriedade. Num estado onde o governo delibera em favor das invasões, não cumpre ordens judiciais de reintegrações de posse e desrespeita leis, não poderíamos esperar condições diferentes ao líder ruralista.
Não bastasse, de olhos vendados, o governo do Estado menospreza a capacidade do povo paranaense.
Nas áreas invadidas não existem armas em posse dos sem-terra? Imaginem. Claro que não. Muito menos aquelas com numerações raspadas, oriundas de furto, roubo. Na troca de tiros que aconteceu no último fim de semana na área invadida da Fazenda São Domingos, em Cascavel - ocasião em que dois morreram -, certamente foram utilizados estilingues, os ferimentos foram provocados por pedras e sementes de mamona.
Não podemos esquecer o caso Syngenta. Também é claro que naquela ocasião os seguranças foram expulsos porque os sem-terra pediram licença, “poderiam deixar esta guarita, por favor”, e ao tentar impedir a invasão atiraram uns contra os outros, enquanto os mesmos sem-terra, pasmos, assistiram à insana ação dos pobres seguranças que depois, tiveram suas armas apreendidas. E é claro, com os sem-terra, não havia arma alguma.
O segurança que morreu no confronto é só mais um na história. Já a morte do sem-terra Valmir Mota de Oliveira, o Keno, é lembrada heroicamente pelas milícias de todo o Brasil, apenas não agradou ao então diretor superintendente da Funpar (Fundação da Universidade Federal do Paraná para o Desenvolvimento da Ciência, da Tecnologia e da Cultura), professor Paulo Afonso Bracarense Costa, que dias depois do confronto emitiu nota oficial informando “que Valmir Mota de Oliveira não era soldado do MST e sim empregado da Funpar, recebendo, repise-se, R$ 2.358,28 [...]”.
Esse é o nosso Brasil. É a tragédia e a comédia que nos movem com o talento dos homens de cueca, com as encenações dos tribunais da impunidade, dos líderes sem-terra remunerados com dinheiro público, dos governos cegos, omissos e até mesmo coniventes.
Meneghel errou ao andar armado e responderá por isso. Mas se os motivos que o levaram a estar não forem considerados justos, que venha o Carnaval Vermelho dos sem-terra e que sejamos expectadores covardes. Afinal, é de festa que o brasileiro gosta.""
É HORA DE PENSAR POVO!!!
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