Vem de dentro, vem de mim...

domingo, 24 de fevereiro de 2013






"A vida, para os desconfiados e os temerosos, não é vida, mas uma morte constante."
Juan Vives

adeus...


Ocorreu-me dizer adeus.
 Lavar os cestos, arrumar as alfaias.
 Fazer a perene despedida.
Apagar o blogue e ...
não mais aqui vir.

Escrever neste espaço traz-me, ocasionalmente, alguns contratempos de ordem pessoal sobre os quais não desejo nada explicitar. Seria, sem dúvida, uma solução simples e fácil, ainda que apenas aparentemente.

Voltar as costas às dificuldades é uma saída que, por vezes, se torna, para mim, demasiado atraente. Afinal de contas não estar perante um problema não será o mesmo do que tê-lo como resolvido?
Não. De todo, evidentemente. Será uma solução confortável mas acaba por nunca ser definitiva. As adversidades existem e fazem parte dos nossos dias. Voltar-lhes as costas apenas faz com que, momentaneamente, não as vejamos, mas por não estarem no nosso campo de visão não quer, minimamente, dizer que tenham desaparecido. É certo, e deveria ser, sabido que voltarão, talvez nas alturas mais importunas, juntar-se a tantas outras contrariedades, com um novo fôlego, uma nova pujança, encontrando-me com cada vez menos energia e, por isso, cada vez mais fragilizado.

Além de tudo o que escrevi juntam-se outras razões, mais profundas e mais fortes, que determinaram que não tenha terminado com este espaço e, provavelmente, tenham determinado uma ainda maior resolução a mantê-lo, cada vez mais amiúde e de modo progressivamente mais natural, gutural e poderoso: Necessito de partilhar o que sinto.

Sou um ser extremamente complexo e sanguíneo. Controverso e paradoxal. Analista de mim, dos outros e do mundo. Incapaz de conter no vaso que me sustenta esta enormidade de entidades que me habitam e, simultâneamente, me formam, condicionam e, muitas vezes, confundem.

Necessito deste lugar de reflexão, desabafo, exteriorização, expiação, extravaso e partilha.
Necessito do sentimento de totalidade e unicidade que escrever, ainda que por instantes apenas, me traz.
Preciso de me esvaziar para ser capaz de absorver o mundo que me rodeia.
Preciso de me libertar para me deixar prender à vida.
Preciso que, com o vosso ponto de vista, seja nesta casa ou na vossa, mudem o ângulo da luz que sobre mim incide e melhor consiga enxergar.

É então de um “Olá”, de um “Cá estou e estarei” que versa este artigo.
Não é uma despedida, mas uma chegada.
Não um “Adeus, definitivo”, mas um “Até já, breve.”