
Frustração!!!
Que sentimento maravilhoso que estou a sentir…! Nem sei o que hei-de fazer com ele. Talvez lutar contra ele, talvez derrotá-lo, talvez juntar-me a ele? É um sentimento tão negativo que gostava que ele não existisse na minha vida, no vocabulário. Sinto-me impotente para poder lidar com as injustiças que me cercam, para lidar com as injustiças que me acontecem. Por isso me sinto frustrada e, ao mesmo tempo, fraca. Fraca porque não tenho forças para agir, para lutar contra estes sentimentos tão derrotistas que me têm assaltado ultimamente. E muito pouca gente tem coragem para os ouvir ou para os enfrentar.
Cada vez mais acho que todos nós lidamos, todos os dias, com estes sentimentos negativos. E que todos os dias tentamos mostrar ao mundo como somos fortes e como somos valentes. Apenas por fora. E temos medo de nos mostrarmos aos outros e temos medo de nos mostrarmos a nós mesmos. E que cada vez mais nos tornamos mais superficiais para não sofrermos tanto com a vida. No entanto, esse caminho também não nos leva a lado nenhum. Leva-nos apenas ao vazio de nós, ao oco do nosso ser e ao despojamento de sentimentos mais profundos, para além dos sentimentos primários da fome, do sono, do sexo. É básico, é a vida de hoje, de amanhã. E quem um dia tiver coragem para se revelar será ignorado, tal como tem sido até agora. Ou então segregado como um leproso na idade média.
Temos de fingir que sentimos apenas aquilo que é aceitável pelos outros, aquilo que se pensa ser o aceitável, o normal, o que chega para justificar existirmos. Não nos podemos deixar arrastar nesta onda sem sentido, apenas porque é por aí que todos vão.
Tenho sido prisioneira de mim mesma, dos meus fantasmas, das minhas limitações, dos meus preconceitos. Tento lutar contra isso e também sei que somos nós mesmos que criamos as nossas oportunidades. E que somos nós que decidimos o nosso futuro. E quando tudo isso nos é negado? Quando tentamos lutar contra o mundo que nos rodeia uma vida inteira e não saímos do mesmo sítio? Quando não atingimos absolutamente nada daquilo que desejávamos? Quando a vida não nos dá oportunidades? E penso não tanto em mim mas nas pessoas que têm tido mais problemas que eu. E conheço exemplos muito próximos de mim. Quem explica a essas pessoas que foram deixadas sozinhas, desamparadas, sem uma única luz que as ajudasse a encontrar o caminho delas, que as orientasse na vida? Permanecerão a divagar por este mundo eternamente? Dentro delas existe um complexo universo que persiste em ser adverso aos seus sonhos. E esse universo reflecte-se também cá fora, no mundo dito real. Claro que me sinto revoltada com estas situações de injustiça. E também sei que não conseguirei muito por elas nem por mim se ficar aqui sentada. Mas ainda vou ter de ter força e coragem para poder voltar a seguir em frente com a minha vida, a qual sinto que está adiada por agora.


