Vem de dentro, vem de mim...

quarta-feira, 30 de junho de 2010


Frustração!!!

Que sentimento maravilhoso que estou a sentir…! Nem sei o que hei-de fazer com ele. Talvez lutar contra ele, talvez derrotá-lo, talvez juntar-me a ele? É um sentimento tão negativo que gostava que ele não existisse na minha vida, no vocabulário. Sinto-me impotente para poder lidar com as injustiças que me cercam, para lidar com as injustiças que me acontecem. Por isso me sinto frustrada e, ao mesmo tempo, fraca. Fraca porque não tenho forças para agir, para lutar contra estes sentimentos tão derrotistas que me têm assaltado ultimamente. E muito pouca gente tem coragem para os ouvir ou para os enfrentar.

Cada vez mais acho que todos nós lidamos, todos os dias, com estes sentimentos negativos. E que todos os dias tentamos mostrar ao mundo como somos fortes e como somos valentes. Apenas por fora. E temos medo de nos mostrarmos aos outros e temos medo de nos mostrarmos a nós mesmos. E que cada vez mais nos tornamos mais superficiais para não sofrermos tanto com a vida. No entanto, esse caminho também não nos leva a lado nenhum. Leva-nos apenas ao vazio de nós, ao oco do nosso ser e ao despojamento de sentimentos mais profundos, para além dos sentimentos primários da fome, do sono, do sexo. É básico, é a vida de hoje, de amanhã. E quem um dia tiver coragem para se revelar será ignorado, tal como tem sido até agora. Ou então segregado como um leproso na idade média.

Temos de fingir que sentimos apenas aquilo que é aceitável pelos outros, aquilo que se pensa ser o aceitável, o normal, o que chega para justificar existirmos. Não nos podemos deixar arrastar nesta onda sem sentido, apenas porque é por aí que todos vão.

Tenho sido prisioneira de mim mesma, dos meus fantasmas, das minhas limitações, dos meus preconceitos. Tento lutar contra isso e também sei que somos nós mesmos que criamos as nossas oportunidades. E que somos nós que decidimos o nosso futuro. E quando tudo isso nos é negado? Quando tentamos lutar contra o mundo que nos rodeia uma vida inteira e não saímos do mesmo sítio? Quando não atingimos absolutamente nada daquilo que desejávamos? Quando a vida não nos dá oportunidades? E penso não tanto em mim mas nas pessoas que têm tido mais problemas que eu. E conheço exemplos muito próximos de mim. Quem explica a essas pessoas que foram deixadas sozinhas, desamparadas, sem uma única luz que as ajudasse a encontrar o caminho delas, que as orientasse na vida? Permanecerão a divagar por este mundo eternamente? Dentro delas existe um complexo universo que persiste em ser adverso aos seus sonhos. E esse universo reflecte-se também cá fora, no mundo dito real. Claro que me sinto revoltada com estas situações de injustiça. E também sei que não conseguirei muito por elas nem por mim se ficar aqui sentada. Mas ainda vou ter de ter força e coragem para poder voltar a seguir em frente com a minha vida, a qual sinto que está adiada por agora.





A ESPERA

Amo-te
em silêncio
quieta
calma!


Te espero
te quero inteiro
te quero meu!

Pegar na tua mão
e caminhar
contigo
por todos os
caminhos
sem temer solidão


Tempo passando
eu te esperando
sonhando
desejando
brincando de amores
e eu sempre só!

Quem sabe
amanhã
num milagre de amor eu
possa dizer ao mundo
que a dor acabou


Sim! Terminou
a espera minha vida se
chama Futuro!




*

Outra e outra vez volto para aqui, para a escrita. Outra e outra vez penso se não poderei escrever algo de límpido, claro, alegre, leve, solto, livre de nostalgia, de tristeza, de dor, de dúvida, de angústia, de negro. Outra e outra vez me pergunto se as coisas boas e alegres da vida não me inspiram para escrever. Claro que me inspiram, mas não as consigo escrever porque não me poluem, não me sufocam, não me amarram. Apenas escrevo aquilo que me perturba de uma forma ou de outra, aquilo que me magoa e me faz mal se a mantiver fechada dentro de mim. É como se tivesse de soltar os monstros que se vão instalando cá dentro. Tenho de exorcizá-los. Daí a minha necessidade em escrever sobre o que me perturba e o que me choca.

É claro que já escrevi sobre coisas boas como o amor, a calma, a paz. Mas se escrevi sobre estes temas é porque eles não cabiam, nessa altura ou nesses momentos, dentro de mim. Foram sentimentos que me transcenderam, que me ultrapassaram e os quais eu tinha de os gritar, de os revelar, de os soltar.

Porque é que eu nunca uso apenas um adjectivo para qualificar os meus sentimentos? Porque os sentimentos têm muitas caras, muitas muitas cores e muitas tonalidades, habitam em inúmeras casas e ocupam muitos lugares em nós. Se formos atentos veremos isso mesmo. Nada na vida é preto ou branco, é sim ou não, é verdade ou falso. Dificilmente a nossa vida é um sistema binário feito de 1 e 0. Daí dar tantas tonalidades aos meus sentimentos, que não são mais nem menos do que aqueles que todos nós temos, só que alguns de nós não olham para eles.

Também há coisas que me perturbam tanto e a tal ponto de me chocarem de uma forma mais tocante, ou diferente, pelas quais não senti vontade de as escrever. Apenas de as esquecer.



"Quem semeia ventos,

Colhe tempestades."






Com rosas lhe dei até a minha alma,
Levantei todo castelo,
Faria de princesa, rainha,
Mudaria o mundo,
Levantaria o universo,
Todo o impossível seria possível,
Quando se quer bem não machuca,
Porém,
Quando machuca a ferida é profunda,
Demorada é a cura,
Perdoa-se até,
Ignora-se até,
Por segundos, horas, dias...
Mas a alma chora,
Pois quando se ama, se cuida.
Com rosas lhe dei até à minha alma!


******

Em movimento perpétuo assistimos ao renascer do dia, umas vezes mais luminoso, outras… nem tanto.
Todavia, o ciclo continua…, perfeito como se de um relógio eterno se tratasse.
Assim somos nós.
Renascemos, todos os dias, procurando avançar com os nossos desideratos, os nossos projectos, os nossos sonhos.
Viver é sonhar, mesmo que por vezes tenhamos de engolir sapos que nunca suspeitássemos ter de vir a engolir.
Mas não são esses momentos menos bons que nos farão tombar.
Quanto muito… apenas nos darão mais força e perseverança para continuarmos a sonhar e a concretizar.
Com efeito, tudo o que nos está destinado, tudo aquilo a que possamos ter direito, mais tarde ou mais cedo, acabará por se juntar a nós próprios e à nossa existência.
Nesse dia… poderei voltar a estender-me no meio do bosque, a mais de 900 metros de altitude, descansar um pouco, respirar fundo, olhar por entre os pinheiros que se alongam verticalmente quase a tocar o céu, e exclamar: «Que espectáculo!!»




saudades


Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
Clarice Lispector