
A ESPERA
Amo-te
em silêncio
quieta
calma!
Te espero
te quero inteiro
te quero meu!
Pegar na tua mão
e caminhar
contigo
por todos os
caminhos
sem temer solidão
Tempo passando
eu te esperando
sonhando
desejando
brincando de amores
e eu sempre só!
Quem sabe
amanhã
num milagre de amor eu
possa dizer ao mundo
que a dor acabou
Sim! Terminou
a espera minha vida se
chama Futuro!
*
Outra e outra vez volto para aqui, para a escrita. Outra e outra vez penso se não poderei escrever algo de límpido, claro, alegre, leve, solto, livre de nostalgia, de tristeza, de dor, de dúvida, de angústia, de negro. Outra e outra vez me pergunto se as coisas boas e alegres da vida não me inspiram para escrever. Claro que me inspiram, mas não as consigo escrever porque não me poluem, não me sufocam, não me amarram. Apenas escrevo aquilo que me perturba de uma forma ou de outra, aquilo que me magoa e me faz mal se a mantiver fechada dentro de mim. É como se tivesse de soltar os monstros que se vão instalando cá dentro. Tenho de exorcizá-los. Daí a minha necessidade em escrever sobre o que me perturba e o que me choca.
É claro que já escrevi sobre coisas boas como o amor, a calma, a paz. Mas se escrevi sobre estes temas é porque eles não cabiam, nessa altura ou nesses momentos, dentro de mim. Foram sentimentos que me transcenderam, que me ultrapassaram e os quais eu tinha de os gritar, de os revelar, de os soltar.
Porque é que eu nunca uso apenas um adjectivo para qualificar os meus sentimentos? Porque os sentimentos têm muitas caras, muitas muitas cores e muitas tonalidades, habitam em inúmeras casas e ocupam muitos lugares em nós. Se formos atentos veremos isso mesmo. Nada na vida é preto ou branco, é sim ou não, é verdade ou falso. Dificilmente a nossa vida é um sistema binário feito de 1 e 0. Daí dar tantas tonalidades aos meus sentimentos, que não são mais nem menos do que aqueles que todos nós temos, só que alguns de nós não olham para eles.
Também há coisas que me perturbam tanto e a tal ponto de me chocarem de uma forma mais tocante, ou diferente, pelas quais não senti vontade de as escrever. Apenas de as esquecer.
"Quem semeia ventos,
Colhe tempestades."