
Sem perder a ternura?
Quando inocente, gentil, inexperiente,
Vieram chacota, arrogância, desprezo
Quando chamei a atenção,
Ah, desconfiança, desdém, ordens , manipulação
Quando, mesmo em estilhaços, mostrei resultado,
Ouvi comentários de “valor... com condição”, desse, daquele e do outro
com o poder em questão
Quando voltei pra casa,
Ergui nos punhos meu ninho: concreto, tijolo, barro como João
Mas quase nada tinha na mão
Quando achei um amor pra viver
Planos se fizeram por pouco mais de dois anos
Quase sorri, mas havia mais que o outro precisava conhecer, e
Se foi com sofrer.
Daquela nova vida de espera e ausência eu não podia querer
Quando recomecei a ser
Senti a dor de quem reaprende a caminhar
Quando cri em intimidade, publicaram-me em ataque
Tudo e nada mais havia a resgatar
Quando tocou-me, enfim, o amor da vida,
Havia tanto passado! Senti o presente pesado,
E vi o futuro nublado
Violenta competição, inútil comparação
Tanta gente a incentivar o “não”
No escuro, meus olhos, meu coração
Meus amigos me perguntam quê tanto estou mudada, em mim fechada,
Com razão
Embruteci, admito, ainda que por fora,
E defendo-me como animal, então,
Até a próxima estação.