Vem de dentro, vem de mim...

domingo, 22 de agosto de 2010








"É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira que vivo".
(Clarice Lispector)



Hoje me sinto bem. Me sinto melhor que ontem. Acho que recuperei o fio que mantém meu equilíbrio interno, e que até então houvera sido roubado. Sim, não o perdi simplesmente, não desejei isso. Esse fio foi roubado por uma embriaguez involuntária, sensações de êxtase e promessas levianas. Me envolvi completamente com o som da melodia que me entoava, dancei sem receio de que os outros reprovassem meu ato de entrega. Não percebi que a música só eu ouvia. Só eu me deixei levar por toda essa magia inventada. Visitei solitária sonhos não vividos, encontros marcados que não aconteceram, beijos que não foram dados. Me perdi de mim mesma na esperança de encontrar a emoção de ser amada. Breve ilusão, apenas mais uma. Me refiz como de costume. Embrulhei a paixão em algum lugar dentro de mim, relembrei as metas que geralmente me motivam, e agora sigo com a sensação de ter ainda mais intenso o desejo de cumpri-las, como uma guerra a ser vencida.
Eu devo isso a mim mesma.