
Lembranças...
Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim.
Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história que alguém já escreveu
E é por essas e outras que a minha saudade
Faz lembrar de tudo outra vez.
Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.
Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade
Sem nada perder.
Você foi toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi o melhor dos meus planos
E o pior dos enganos que eu pude fazer
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.
Minha chuva
Hoje eu vi a Chuva
Depois de muitos anos eu consegui ver chover
E foi como se eu tivesse tido uma Epifania
Foi como se não tivesse sentido nada mais
Nesses meus tantos anos de vida
No jornal apenas noticias do caos da cidade
Quarenta dias chovendo...
Uma São Paulo flutuante...
Andei calmamente para fora
Senti o gosto do vendo frio no rosto
As pequenas gotículas que vinham nas suas notas
A rua estava tranquila
E aproveitei a estranha calmaria que a chuva proporciona
Fui para o meio da rua
E me deixei molhar
Brindei a vida
Como pode repentinamente lembrarmos de quem somos
De quem fomos
Da criança que simplesmente rodopiava e sorria
Na chuva somos como um rascunho sendo passado a limpo
Me tras a autoridade de que nunca poderemos mandar no tempo
E que ele pode escorrer por nosso rostos como uma longa história a ser contada
Hoje a chuva está acessa
E com gosto de Ano Novo
Os banhos de chuva trazem de volta a criança
que hoje está num corpo de mulher
A chuva cai e trás de volta o frescor da minha alma serena…
******************************************************************************
Existem dias que acordamos com o mundo na garganta
Tudo vibra e expande em mim
Uma sensação asfixiante e gritante de agonia
Dias de solidão entre amigos
Dias de perfeição comigo mesma
Dias que são perfeitos porque ignoro
A banalidade da frase ‘dias melhores virão’
Sou um ser sem as crenças dos seres puros de coração
Não sou um gênio, sou noite , sou Lua
Eu gosto desses dias que sou sem expectativa
E ao mesmo tempo me sobram encantos
Fico de joelho e acaricio a areia
Sensação de tudo sentir e nada reter
Dentro de mim cicatrizes antigas, magoas fresquinhas, belos poemas
Sinto o orvalho da noite
Os sorrisos que me encantam
Sou um pedaço de mim que vive
Sou um pedaço feliz de mim mesma
Meu horizonte é calmaria...
*******************************************************************************
O CAVALINHO E A BORBOLETA-muito interessante.
(Qualquer semelhança com seres humanos que você conheça, pode não ser coincidência)
Esta é a história de duas criaturas de Deus que viviam numa floresta distante há muitos anos atrás. Eram elas, um cavalinho e uma borboleta.
A borboleta era livre, voava por todos os cantos da floresta enfeitando a paisagem. Já o cavalinho, tinha grandes limitações, não era bicho solto que pudesse viver entregue à natureza. Nele, certa vez, foi colocado um cabresto por alguém que visitou a floresta e a partir daí sua liberdade foi cerceada.
A borboleta, no entanto, embora tivesse a amizade de muitos outros animais e a liberdade de voar por toda a floresta, gostava de fazer companhia ao cavalinho, agradava-lhe ficar ao seu lado e não era por pena, era por companheirismo, afeição, dedicação e carinho.
Assim, todos os dias, ia visitá-lo e lá chegando levava sempre um coice, depois então um sorriso. Entre um e outro ela optava por esquecer o coice e guardar dentro do seu coração o sorriso.
Sempre o cavalinho insistia com a borboleta que lhe ajudasse a carregar o seu cabresto por causa do seu enorme peso.
Ela, muito carinhosamente, tentava de todas as formas ajudá-lo, mas isso nem sempre era possível por ser ela uma criaturinha tão frágil.
Os anos se passaram e numa manhã de verão a borboleta não apareceu para visitar o seu companheiro. Ele nem percebeu, preocupado que ainda estava em se livrar do cabresto.
E vieram outras manhãs e mais outras e milhares de outras, até que chegou o inverno e o cavalinho sentiu-se só e finalmente percebeu a ausência da borboleta. Resolveu então sair do seu canto e procurar por ela. Caminhou por toda a floresta a observar cada cantinho onde ela poderia ter se escondido e não a encontrou. Cansado se deitou embaixo de uma árvore.
Logo em seguida um elefante se aproximou e lhe perguntou quem era ele e o que fazia por ali.
- Eu sou o cavalinho do cabresto e estou a procura de uma borboleta que sumiu.
- Ah, é você então o famoso cavalinho?
- Famoso, eu?
- É que eu tive uma grande amiga que me disse que também era sua amiga e falava muito bem de você. Mas afinal, qual borboleta que você está procurando?
- É uma borboleta colorida, alegre, que sobrevoa a floresta todos os dias visitando todos os animais amigos.
- Nossa, mas era justamente dela que eu estava falando. Não ficou sabendo? Ela morreu e já faz muito tempo.
- Morreu? Como foi isso?
- Dizem que ela conhecia, aqui na floresta, um cavalinho, assim como você e todos os dias quando ela ia visitá-lo, ele dava-lhe um coice.
- Ela sempre voltava com marcas horríveis e todos perguntavam a ela quem havia feito aquilo, mas ela jamais contou a ninguém.
- Insistíamos muito para saber quem era o autor daquela malvadeza e ela respondia que só ia falar das visitas boas que tinha feito naquela manhã e era aí que ela falava com a maior alegria de você.
Nesse momento o cavalinho já estava derramando muitas lágrimas de tristeza e de arrependimento.
- Não chore meu amigo, sei o quanto você deve estar sofrendo. Ela sempre me disse que você era um grande amigo, mas entenda, foram tantos os coices que ela recebeu desse outro cavalinho, que ela acabou perdendo as asinhas, depois ficou muito doente, triste e sucumbiu e morreu.
- E ela não mandou me chamar nos seus últimos dias?
- Não, todos os animais da floresta quiseram lhe avisar, mas ela disse o seguinte:
- Não perturbem meu amigo com coisas pequenas, ele tem um grande problema que eu nunca pude ajudá-lo a resolver. Carrega no seu dorso um cabresto, então será cansativo demais pra ele vir até aqui.
Você pode até aceitar os coices que lhe derem quando eles vierem acompanhados de beijos, mas em algum momento da sua vida, as feridas que eles vão lhe causar, não serão mais possíveis de serem cicatrizadas.
Quanto ao cabresto que você tiver que carregar durante a sua existência, não culpe ninguém por isso, afinal muitas vezes, foi você mesmo quem o colocou.