
Recordei me de um bilhete que ganhei a pouco tempo.
Decide lê-lo e tirar de um lugar que só eu sei.
Gostei de ver que ele é escrito a mão e diz palavras minhas e de seu autor.
Fico feliz em pode olhar para ele e lembrar de muitos risos, algumas vontades e coisas que nunca aconteceram.
Acabo de lembrar algo mais, coisas a mais, sentimentos a mais.
COisas que disse e que achei que mudaria a vida do escritor, mas não deu em nada. Ele quis mudar, mas outro alguém não deixou.
Desejei secretamente que fosse assim, que ficasse sozinho e que de certa forma fosse meu. mas tudo que aconteceu foi longe disso. Longe demais de mim.
Mas confesso que houve uma promessa e uma distância percorrida.
A promessa de que seria sempre assim do meu jeito, seria dele, e assim seria pra sempre. Sem precisar de nada mais, sem precisar quebrar regras ou me sentir angustiada.
Quanto a distância, é aquela que sabemos só nós. Uma distância entre a razão e a emocção do outro. A distância dos pensamentos.
O autor foi embora. Fica longe de mim, mas sinto que ainda me cuida. Tenho todas as saudades. Tenho vontade de vê-lo só um instantizinho, e assim bem devagarinho achar que daí posso ficar bem. Sentir que posso estar em seus braços, ter a relembrança do perfume, e a sensação de ser única. Mesmo que ele tenha mil pessoas a cumprimentar, dar atenção, ou até mesmo gastar tempo nenhum. Sei que sou só eu que em certos momentos ele gosta de olhar, e de chatear também. Que ser única é estar no coração e ocupar um lugar enorme. Pode até ser que eu esteja errada, e que tudo isso aqui não valha nada. mas fui sempre sincera, de acordo com as palavras que ganhei. E a promessa de que tudo seria inesquecível, também.

Conto de fadas
Estou ficando vazia de palavras, e as sensações parecem se repetir.
Acho que preciso alimentar mais minhas histórias.
Preciso encontrar as sementes mágicas do pé de feijão. Preciso encontrar um gigante e combatê-lo. Preciso acariciar o gato de botas. E brigar com a Fera que vive no castelo. Preciso deixar meus cabelos crescerem para fazer longas tranças, tranças de rapunzel. Preciso comer da maçã envenenada. Preciso perder meu sapatinho de cristal. Preciso dormir para sempre, porque só o beijo do princípe não vai me despertar. Perdi a fada azul de vista, e acho que não vou conseguir me tornar uma menina de verdade. Não consigo achar a fada madrinha que prometeu me ajudar. Sinto que meu coração pode ser de palha, madeira e de cimento e tijolos que sempre vai ter um lobo querendo destruí-lo. Mesmo que eu ande atenta pelo caminho, e me proteja dos ventos com meu chapéuzinho vermelho, sempre parece que não vai ser a vovó que vou encontrar no final. Deixo migalhas pelo caminho em que sigo, no entanto os pássaros da minha imaginação come cada uma delas. Assim fico perdida. E continuo andando até encontrar um amor todo doce, cheio de chocolate, bala de goma, bolacha recheada. me perco assim e acabo engordando o pensamento com as tolices mais doces que já vi. De repente tudo muda, me vejo perdida na floresta e encontro o gato maluco, e logo já vejo um soldado da Rainha de Copas a me espionar. Cortem as cabeças [ e o coração, também!]! Não há tempo, não há tempo! estou com pressa, estou atrasada. Com toda essa pressa acabo perdendo minha voz e ganhando pernas, em vez de continuar no mar da esperança com minhas nadadeiras amigas. Troco meu reino, por um mortal. No entanto consigo me salvar e encontrar a felicidade eterna. Entre uma loucura e outra, acho o meu aladim e ando no tapete mágico. Ganho o mundo e meus olhos brilham como duas esmeraldas.
Assim vivo eu, entre um conto de fadas e outro, tentando superar a realidade que é diferente do sonho. Que beira as vezes o romantismo e outras vezes a bruxa malvada que aparece disfarçada de velhinha. Mas anseio desesperadamente a ajuda da minha fada madrinha, só espero que ela não seja tão atrapalhada como aquela que ela deveria ajudar.

ah não esperei...
passei perto, mas desviei.
Atravessei a rua.
Enrubesci.
Já me decidi, tem coisas que a gente tem que deixar passar e doer.
Incomoda um pouco. Pra falar a verdade, machuca muito no começo.
Depois tudo volta ao normal.
Guardo seu lugar. Sei que não vais voltar.
Fico assim, a espera do tempo. Espero o vento que vem e que vai e não fica em lugar algum.
Permaneço em um dia nublado. Um dia vazio. Um dia grisalho.
Vou deixar meu balão voar.

Fico como uma carta que nunca vai chegar.
Justamente porque o destinatário e remetente não se conhecem, ou melhor desconhecem
a necessidade um do outro.
Quero um abraço apertado, quero sentir que o vazio foi preenchido.
Estou achando que isso é sintoma do tempo que para mim está estacionado.
A música já não supre, mesmo aquelas da lista que mais me lembram momentos preciosos.
Me sinto caixinha de música envelhecida. Aberta não mais por causa da melodia do amor, mas sim por vaidade, aberta para o outro se observar no espelho.
É recordo me que abraços não são promessas, tampouco sinal de compromisso.
Não quero dar o braço a torcer, que às vezes fico com água na boca na espera de você.
Não sei contar às vezes em que me pertubo com seu perfume porque parece que
penetra em cada pensamento e célula do ser.
Saber o que acontece não sei. Alguém tá estranho. SEu cabelo tá estranho.
EU estou quieta. Minhas palavras estão quietas. Minhas mãos mudas.
E meu coração é o único que eu insisto em calar.
Não adianta, porque ele ainda é capaz de sentir.